Fomos programados para passar pela vida, para aceitar a rotina obrigatória, para ensinar e sermos ensinados a silenciar, assim somos levados à covardia e à omissão.
Fomos programados para a pouca vontade, para sermos acomodados e livres da sede de evolução, para não agir com intensidade, programados para a falta de ética e ao desrespeito profissional.
Fomos programados para estar com pressa, para fazer tudo rápido, para estarmos atrasados, configurados para engolir o almoço porque o tempo é pouco, para ficar no trânsito antes de ir para casa e para aceitar a incessante buzina, aceitar os reflexos do estresse.
Fomos programados para viver com futilidades, usando só roupas de marca e comendo nos mais caros restaurantes, para tanto, fomos elaborados para a frieza, para a falta de sentimentos, para sermos cegos sociais.
Fomos programados para a violência, para não chocarmo-nos com a banalização da morte, e assisti-la, diariamente, no noticiário; programados para não questionar e simplesmente concordar com as injustas regras impostas pela sociedade.
Somos assim, somos conectados à matéria, programados, configurados, elaborados e projetados para buscar uma qualidade de vida, tal vida que cada vez mais se desqualifica, torna-se indigna por conta dessa busca.
Estamos todos assim globalizados, homens de lata que, na procura de um coração que pensamos não ter, ficamos cada vez mais enferrujados.
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